Flávio fugiu, mas a tesoura segue sendo imposta pelo mercado

A estrondosa vitória eleitoral e popular da chapa Lula/Alckimin agitou o mundo neoliberal. No dia seguinte, assustados, os financistas que apostavam tudo na previsão dos institutos de pesquisa e davam certa a vitória do projeto de cortes e desmontes se viram frustrados, o que motivou um ataque especulativo do mercado financeiro. Logo após, ao tempo em que o regime Trump não anunciou o reconhecimento do resultado eleitoral, Flávio Bolsonaro foge do país, com direção aos Estados Unidos, se assume “líder” do Brasil e diz que “irá articular a mobilização da oposição, contra o regime de exceção, de fora do país”.
Eles não contavam com o protagonismo da mobilização popular, que foi às ruas no 2º turno e se tornou decisiva no dia 25 de outubro, abrindo uma diferença de mais de 4 milhões de votos, que separaram Lula reeleito e o representante da família Bolsonaro, derrotado. O capitalismo se vê frustrado e, por meio da grande mídia, já anunciou a cobrança pela indicação de nomes do Ministério da Fazenda, próximos do mercado. Cobram ao projeto eleito a agenda e o uso da tesoura do candidato derrotado: “ajustes nas contas públicas”, como regra para aceitar a soberania das urnas.
Mais bagunça: Flávio foge para os EUA
Outro sintoma explícito da frustração neoliberal foi a fuga do filho 01 bolsonarista para o território estadunidense. Em articulação com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, contando ainda com a cumplicidade dos governantes argentino e equatoriano, Javier Milei e Daniel Noboa, Flávio saiu escondido do Brasil e entrou no país de Donald Trump pela porta dos fundos.
O senador, ao pousar nos EUA, dois dias após ser derrotado pelo povo brasileiro nas urnas, descumpre decisão da justiça que apenas o cobrou pela entrega dos passaportes e o investiga por lavagem de dinheiro; emitiu uma carta pública se autointitulando “líder do Brasil” e afirma que irá conduzir a liderança do campo político conservador de fora do país.
Foi para o estrangeiro por medo do avanço das investigações que o aproxima do advogado foragido, Willer Tomaz, que revelou uma sociedade entre os dois no esquema de lavagem de dinheiro com bets.
Mobilização popular e ajuste de rota. À esquerda.
De um lado, lá nos Estados Unidos, Donald Trump, Marco Rubio, família Bolsonaro e, cá no Brasil, o congresso inimigo do povo, a grande imprensa brasileira e o mercado financeiro; do outro lado: Lula e o povo brasileiro. O quarto mandato do Lula exige, de maneira privilegiada, uma articulação orgânica com o sentimento vivo das ruas e das redes saídos desse pleito de 2º turno.
Apesar da bagunça inicial, com as estruturas da institucionalidade nas mãos, a direita golpista não demorará para se reorganizar; resta saber com que cara. Para querer impor a garantia de governabilidade lulista, só mediante a adoção de uma agenda de restrição das políticas sociais, privatizações e manutenção das amarras do mercado, por meio de mais austeridade fiscal.
Abre-se um terceiro turno de disputa sobre os rumos do novo governo Lula. Ele, sozinho, não será capaz de transpor estas pressões institucionais; para isso, o sindicalismo, junto a juventude, idosos, o movimento de mulheres, indígenas, a academia, têm papel central na condução por um governo que assuma um perfil popular e protagonize uma revolução tecnológica, educacional e industrial no país.
A mobilização popular é o caminho para uma governança “a quente” e garantidora do projeto “Brasil Ponto pra Mais”.




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