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[Saiu na Imprensa] Funcionários mantêm greve

Publicado em 13.03.2018 no Jornal do Commercio

CORREIOS TST decide que estatal tem direito de alterar plano de saúde de seus empregados, mas trabalhadores continuam com movimento

EDILSON VIEIRA edvieira@jc.com.br

O Tribunal Superior do Trabalho julgou, ontem, procedente a ação ajuizada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), pedindo para promover mudanças no plano de saúde de seus funcionários. Este é o principal motivo da greve deflagrada ontem pelos funcionários da estatal.

Os Correios alegam que, por razões financeiras, não tem mais como custear o Postal Saúde – Caixa de Assistência e Saúde dos Empregados dos Correios e, por isso, vai excluir do plano a assistência para os dependentes: cônjuges, pais e filhos, ao contrário do que estava previsto no acordo coletivo que vigorou até o ano passado. Com a decisão da Justiça, dando ganho de causa aos Correios, os funcionários da estatal decidiram em assembléia realizada no início da noite de ontem, manter a greve por tempo indeterminado.

Ontem, a greve teve pouca adesão. Os Correios calculam que, em todo o País, 90% das agências funcionaram. No Recife, o sindicato da categoria afirma que 50% dos empregados aderiram ao movimento. “Todas as agências funcionaram parcialmente, algumas chegaram a 90% de paralisação”, afirma Eliomar Moreira, diretor de comunicação do sindicato dos trabalhadores dos Correios em Pernambuco (Sintect-PE).

No estado, os Correios têm cerca de 3,5 mil funcionários e 280 agências. Os trabalhadores promovem uma nova assembléia para avaliação do movimento às 15h de hoje. “A direção dos Correios alega que trabalha com um déficit de quase R$ 2 bilhões mas não abre as contas para que a gente possa entender essa contabilidade”, diz Suzy Cristiny da Costa, secretária de imprensa da Federação Nacional dos Empregados dos Correios (Fentect). Ela afirma que a empresa gasta com a contratação de escritórios jurídicos e patrocínio de eventos mas diz não ter dinheiro para bancar o plano de saúde dos funcionários. Suzy diz ainda que os trabalhadores dos Correios têm uma das mais baixas médias salariais do funcionalismo público.

Segundo ela, cerca de 80% recebe salários de cerca de R$ 2 mil. “Fazer com que os trabalhadores banquem o plano de saúde dos familiares será um grande golpe. A empresa não negocia reajuste de salários previsto no plano de carreiras e ainda retira benefícios”, diz a sindicalista. Ela esclarece que a pauta de reivindicação da categoria pede ainda a realização de concursos públicos.

“A ideia do governo é sucatear e depois privatizar. Mas quem vai fazer o serviço social dos Correios chegando nos locais mais distantes do País?”, indaga a sindicalista. A Fentect informa que, nos últimos quatro anos, a empresa já desligou cerca de 25 mil funcionários e hoje mantém um quadro de cerca de 106 mil trabalhadores.

DÍVIDAS Segundo um estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), no ano passado, o patrimônio líquido dos Correios era de R$ 243 milhões, uma redução de 83% em relação a 2016. O déficit acumulado até outubro de 2017 foi R$ 1,94 bilhões, o que significou um aumento de 11,8% em relação ao ano anterior. O balanço final do ano passado ainda não foi divulgado. Mesmo com dois reajustes tarifários (7,49% em abril e 6,12% em outubro) houve redução da receita total de 5,12% em relação a 2016.

Ainda segundo o Dieese, 39% dos brasileiros não acessam a internet no Brasil, o que revelaria a importância dos serviços dos Correios (Pesquisa TIC Domicílios, 2016). Em nota, divulgada pela Agência Estado, os Correios afirmaram que a empresa ‘entende o movimento atual como injustificado e ilegal, pois não houve descumprimento de qualquer cláusula do acordo coletivo de trabalho da categoria’. A estatal alega ainda que hoje os custos do plano de saúde dos trabalhadores representam 10% do faturamento dos Correios, ou seja, uma despesa da ordem de R$ 1,8 bilhão ao ano, incluindo o custeio do benefício a empregados, dependentes e cônjuges, também pais e mães dos titulares.